A palavra personagem deriva do
grego persona, e desta mesma raiz etimológica nasceu a palavra pessoa.
Os
gregos deram este nome ao orifício que ficava localizado na boca das máscaras
teatrais, e que ´´personava`` a voz dos atores. Per sonare significa ´´soar
através de``. Porém, foi no período romano que surgiu o termo personagem, palavra
latina que tem origem no etrusco, ´´phersu`` .
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| Máscara do teatro grego. |
Literalmente, persona significa
máscara, e por este motivo está diretamente associada às máscaras que usamos
para representar os diversos papéis sociais. Portanto, a personagem é a representação de um papel social vivido por um ator ou
incorporado na imaginação do público, quando aquele não está fisicamente presente.
É a personagem que coloca a história
ou obra em ação, seja ela real ou ficcional. Em geral personagens do cinema, teatro,
Tv, quadrinhos e afins, são representados por pessoas, mas podemos encontrar
humanizações em animais, objetos e sentimentos. Por este motivo podem ter nome
ou não, e possuir qualquer tipo de personalidade.
No drama sueco Persona, (Quando duas Mulheres Pecam), o diretor Ingmar Bergman aborda o tema da representação social de forma reflexiva e complexa, uma vez que acontece uma fusão entre as personagens femininas a ponto de não reconhecerem mais a sua real face. A sinopse do filme descreve que :
´´Após um desempenho na peça "Electra", uma famosa atriz, Elisabeth Vogler (LIv Ullmann), pára de falar. Sua psiquiatra, Lakaren (Margaretha Krook), a deixa sob os cuidados de Alma (Bibi Andersson), uma dedicada enfermeira. Como já fazem três meses que Elisabet não profere uma palavra, Lakaren decide que ela deva ser mandada para uma isolada casa de praia, com Alma. Na casa Alma fala pelas duas, pois Elisabet continua muda, comunicando-se apenas com pequenos gestos. Com o convívio Alma fica uma pouco enamorada pela atriz. Num dia conta para Elisabeth sobre uma excitante experiência sexual que teve numa praia, com desconhecidos, e a conseqüência desagradável disto. Pouco depois de fazer esta confidência ela lê uma carta que Elisabeth tinha escrito, onde fica chocada ao descobrir que a atriz pensa nela como um divertido objeto de estudo. `` (http://www.adorocinema.com)
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| Cena do filme Persona, de Ingmar Bergmam |
Interessante observar que o diretor, na medida em que coloca a personagem Alma para falar por Elisabet, reitera o princípio que conceitua a palavra persona.
Este filme é um dos clássicos de Bergmam, e que muito embora seja complexo na sua abordagem e leitura, torna-se imperdível justamente por isso. Para conferir assista o filme, e mais abaixo o vídeo onde o jornalista e crítico de cinema, Marcelo Janot, analisa a obra.
Dayse Marques
Dayse Marques


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